Quais os fatores necessários para o desenvolvimento de um país? Perspectivas para projetos e empreendimentos em Angola.

Quais os fatores necessários para o desenvolvimento de um país? Perspectivas para projetos e empreendimentos em Angola.

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Olá amigos. Muitos já sabem que estive em Luanda na semana passada ministrando o workshop PM Mind Map® para alunos do MBA em Gestão de Projetos da BBS (http://bbs.edu.br/angola/). Quero compartilhar com vocês as minhas impressões sobre esse país com potencial enorme de desenvolvimento, mas também com muitos problemas a serem resolvidos.

O povo angolano é muito simpático, receptivo, criativo e ligado às artes. Atualmente podemos notar a presença deles em várias expressões artísticas mesmo no Brasil, notadamente na música e nas telenovelas.

Mas esse povo sofreu muito durante longos anos devido a vários conflitos armados de 1961 a 2002. Ou seja, quarenta anos de guerras constantes. De 1961 a 1974 ocorreu a Guerra de Independência de Angola contra a colonização portuguesa. Logo em seguida ocorreu a Guerra Civil, iniciando em 1975 e seguindo, com alguns intervalos, até 2002. Foi essencialmente uma luta pelo poder entre os dois principais movimentos de libertação que haviam lutado juntos contra Portugal. O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA). Em plena guerra fria, O MPLA adotou uma posição “marxista-leninista” obtendo o apoio da então União Soviética, e a UNITA adotou uma posição “anticomunista”, obtendo o apoio dos Estados Unidos. Isso tornou a guerra interna angolana uma extensão do conflito externo entre as grandes potências, ocasionando forte influência internacional com assistência militar de ambos os lados, aumentando a violência e o potencial destrutivo dos conflitos internos.

Com o fim da guerra fria no início dos anos 90 houve uma diminuição dos investimentos bélicos externos, o conflito interno começou a perder força e em em 2002 O MPLA conseguiu a vitória. A guerra deixou para traz uma crise humanitária desastrosa, com mais de 500 mil mortes, um deslocamento interno de mais de 4 milhões de pessoas (um terço da população total do país) e devastou a infraestrutura, a administração pública e os empreendimentos econômicos. Ainda hoje os reflexos podem ser sentidos fortemente na população, com pouco acesso à assistência médica básica ou água potável, alto índice de mortalidade infantil e baixa expectativa de vida.

A economia também foi bastante afetada pelas sucessivas guerras, colocando o país juntamente com a Guiné-Bissau entre os países mais pobres do planeta. Outro fato importante é como o país se organizou politicamente. Embora a estrutura de governo se autodenomine uma democracia, esta nunca aconteceu de fato aos olhos do mundo e da própria população, pois não há alternância de poder nem tão pouco uma oposição consolidada. O Presidente José Eduardo dos Santos, hoje com 74 anos, está na presidência desde 1979, e seu partido, o MPLA, tem governado Angola desde a independência em 1975.

A economia angolana é baseada fortemente na agricultura e mineração, com alguns avanços na indústria. No setor primário agrícola produz café, cana de açúcar, algodão, fumo e borracha, já na mineração produz petróleo, diamantes, e minério de ferro. No setor secundário a indústria tem papel importante no beneficiamento dos produtos primários, sobretudo o refino de petróleo, e na fabricação de pneus, açúcar, cerveja entre outros.

O fato é que toda a infraestrutura necessária para prover esses setores foi destruída durante os conflitos. Com isso o setor da construção civil conheceu forte crescimento no pós-guerra, captando grandes investimentos estrangeiros e fortalecendo a economia com a geração de empregos.

Angola vinha apresentando boas taxas de crescimento, apoiadas principalmente pelas exportações de petróleo. Segundo os dados oficiais o país cresceu em média 10,2% ao ano entre 2002 e 2008. Esse fato se reverteu nos últimos anos com a queda do preço da commodity no mercado internacional, mas ainda assim vinha mantendo um crescimento médio de 3,6% ao ano, com projeção de 3,3% para 2016 segundo o o relatório African Economic Outlook, divulgado em maio. Esse documento, divulgado pelo Banco de Desenvolvimento Africano junto com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e pelas Nações Unidas aponta para grande incerteza sobre a evolução das exportações de petróleo angolanas e preços das matérias-primas nos mercados internacionais nos próximos anos. Os especialistas recomendam que o Governo diversifique a economia, sobretudo através da agricultura, e que tome medidas para fortalecer o desenvolvimento humano e o crescimento equitativo.

Os números da economia, mesmo com a desaceleração dos últimos anos, são impressionantes, embora há quem diga que não são confiáveis. Segundo o governo a Taxa de Pobreza que era de 80% em 2014 está agora em torno de 36% e deve cair para 26% em 2017. Mas infelizmente não é o que se percebe quando se anda pelas ruas de Luanda, que é a capital do país. Quanto mais nas províncias distantes e com ainda mais restrições.

Um dos principais esforços que pode se reconhecer nesse Governo é o que tem sido feito para manter as crianças e jovens nas escolas. O número de alunos matriculados, que era pouco mais de 2,5 milhões em 2002, agora passa dos 8 milhões com crescimento médio de 24% ao ano. O problema é que do total de alunos matriculados, menos de 2% estão em ensino superior. A quase que totalidade é composta por alunos no ensino básico. Ainda assim iniciativas mesmo que isoladas para o ensino e a cultura são sempre incentivadas e bem aceitas pela população, principalmente os mais jovens que gostam de estudar e que reconhecem o trabalho dos professores.

Resumidamente e talvez até de forma simplista, os três principais fatores para que os investimentos e projetos aconteçam em um país para promover o desenvolvimento são: Condições Políticas, Condições Econômicas e Investimentos. Em situações normais, um fator favorece o outro, como condições políticas estáveis gerando uma economia consolidada e confiável, propiciando os investimentos necessários.

Angola tem enorme potencial sendo um terreno fértil para investimentos lucrativos, pois carece de tudo. A reconstrução de sua infraestrutura precisa ser retomada urgentemente. As quedas de energia elétrica são frequentes e a maioria dos empreendimentos e edifícios precisam manter geradores e tanques de combustível, além de poços e reservatórios de água. Ruas e estradas precisam ser refeitas ou reformadas, o transporte público é um caos, mesmo os principais portos, como os de Luanda, Benguela, Lobito, Namibe e Cabinda, são pouco eficientes, as poucas linhas férreas ligam o litoral ao interior e não são interligadas, as indústrias precisam ser modernizadas, ampliadas e expandidas para outros segmentos, o setor de serviços ainda é insipiente, ou seja, está tudo por fazer. Mas é preciso muito investimento. Sem os petrodólares da época dos bons preço por barril o governo não consegue financiar a expansão por conta própria. A dívida interna já está se aproximando a 50% do PIB e as reservas internacionais cobrem no máximo 7 meses de importações previstas. Em contrapartida a estrutura política não gera a confiança necessária nos investidores externos, o empreendedorismo interno ainda é fraco e limitado a pequenos negócios. Quanto a economia, o principal fator negativo tem sido a taxa de câmbio. Oficialmente o dólar é cotado a pouco mais de 170 Kwanzas, mas não é encontrado nos bancos oficiais. Na prática o que se vê é uma escalada de preço. No ano passado quando estive lá pela primeira vez, ainda era possível trocar facilmente a moeda local no câmbio oficial. No início deste ano o câmbio paralelo já estava a 300 Kwanzas por um dólar. Agora esse preço já chega a 600 Kwanzas por dólar e mesmo assim é difícil de conseguir. O governo vem fechando sistematicamente toda saída de dólar do país numa tentativa de conter a evasão de divisas, limitando os envios de remessas e até o uso de cartões de crédito internacional. Com isso, apesar da enorme carência e da demanda reprimida, não há em Angola os três fatores básicos para que os projetos e empreendimentos ocorram. As condições políticas, embora estáveis internamente, não são confiáveis aos olhos do mundo. A economia vem sofrendo com a queda drástica do preço do petróleo, com menos divisas o investimento interno se tornou escasso e o investimento externo de alto risco. Assim, só resta torcermos para que o governo e o povo angolano encontrem logo uma saída para equalizar esses fatores para captar novos investimentos e garantir o crescimento sustentável, equilibrado e duradouro do país.

É um povo guerreiro, interessado, receptivo e trabalhador. Muitos, mesmo por conta própria e pagando caro, se empenham para cursar pós graduação, MBA ou estudar no exterior. São interessados em empreendedorismo e inovação, antenados nas tendências mundiais e dispostos a mudar o país. Resta que tenham melhores condições.

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Bons Projetos!

Paulo Mei

25 de julho de 2016 / Negócios, Portfólios, Projetos

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