Toda ideia DEVE virar um Projeto? Viabilidade Econômico Financeira para Projetos e Empreendimentos.

Toda ideia DEVE virar um Projeto? Viabilidade Econômico Financeira para Projetos e Empreendimentos.

Businessman Working With Laptop

Olá pessoal. Tenho dito em várias oportunidades que o termo Projeto em português não é a tradução mais feliz para o termo Project do inglês. Frequentemente quando falo para alguém de fora dessa área que trabalho com projetos sou questionado se faço plantas e desenhos técnicos. Essa confusão se dá pelo fato de que, ao meu ver, o termo Projeto tem mais a ver com Design em inglês e o termo Project seria mais bem traduzido para Empreendimento em português.

Nesse contexto, aceitando essa tradução, é preciso levar em consideração que todo empreendimento é realizado através de um investimento inicial e visando um retorno. O investimento é feito geralmente em forma de dinheiro, tempo (que é dinheiro), alocação de recursos (que também custa dinheiro), e outros itens que na maioria das vezes podem ser facilmente traduzidos para valores monetários.

Já para avaliarmos o retorno, a conta pode ser mais difícil, pois pode ser representado pela lucratividade com as vendas de um determinado produto ou serviço produzido graças ao investimento inicial, pela economia obtida com maior eficiência pela implantação de uma nova máquina ou de um novo desenho de processo, mas também pode vir de forma mais indireta como por exemplo os projetos sociais, campanhas governamentais etc.

Fluxo de Caixa

Normalmente o investimento inicial parece mais fácil de ser calculado, pelo levantamento ou estimativa da necessidade de recursos para produzir um certo produto ou serviço, que pode ser uma fábrica, a troca de uma máquina, o desenho de um novo processo ou mesmo uma campanha de marketing. Esse é o custo do projeto, como conhecemos, e que está descrito no capítulo 7 do Guia PMBOK®. Para calcularmos o retorno é preciso, muitas vezes, pesquisa, histórico de resultados, uso de estatística, estimativas de vendas e custos operacionais etc. Apesar das estimativas estarem presentes também no cálculo do investimento inicial, elas são mais a curto prazo, normalmente mais fáceis de serem quantificadas, pois são calculadas com base em recursos conhecidos e, portanto, tendem a ser mais precisas quando o trabalho de planejamento do projeto é bem feito. O cálculo do retorno, ao contrário, normalmente possui inúmeras variáveis e a maioria fora do alcance do gerente do projeto e seu time. É preciso envolver o departamento de marketing para realizar pesquisas e projeções de vendas e preço, o departamento financeiro para estimar o comportamento da economia durante o ciclo de vida do produto, ou seja, durante o tempo em que o retorno será obtido, os departamentos operacionais envolvidos para a estimativa dos custos e gastos operacionais para a produção de um determinado item, ou as economias a serem obtidas com uma nova máquina ou um novo processo. Os retornos acontecem mais a longo prazo e, portanto, possuem maior risco e maior possibilidade de variações.

Realmente, colocando dessa forma, parece mesmo um tanto complexo calcularmos o retorno de um empreendimento. Isso não implica, de jeito algum, que podemos deixa-lo de lado. Peter Druker dizia que só se gerencia o que se pode medir. Douglas W. Hubbard no livro How to Measure Anything diz que tudo pode e deve ser medido e que intangível (que não se pode tocar, como o ar, por exemplo) não tem nada a ver com imensurável (que não se pode medir). O que talvez possa variar é o grau de precisão dessa medida. Hubbard também diz que qualquer medida, por mais imprecisa que seja, é melhor do que a total ignorância. Assim, mesmo para os aspectos mais intangíveis ou dependente de muitas variáveis, é preciso persistência, curiosidade e interesse para gerar uma estimativa justificada por uma memória de cálculo e protegida através de premissas.

Passada essa etapa, e de posse das estimativas dos custos que compõem o investimento inicial, e das expectativas de retorno com esse investimento, é hora de calcular os importantes indicadores Econômico-Financeiros do empreendimento. Esses indicadores são o VPL ou Valor Presente Líquido, TIR ou Taxa Interna de Retorno, Payback ou período de retorno do capital e ROI ou Retorno sobre o Investimento. Todos explicados pela matemática financeira.

O Valor Presente Líquido (VPL) demonstra quanto sobraria para o investidor, atualizando-se os lucros futuros por uma taxa de desconto até o presente e subtraindo-se o investimento inicial. É o fluxo de caixa descontado do empreendimento expresso em dinheiro. Para ser viável um empreendimento deve gerar retorno maior que o investimento inicial.

A Taxa Interna de Retorno (TIR) representa a taxa de retorno do investimento, sobre o mesmo fluxo de caixa utilizado no cálculo do VPL, mas não levando em conta a taxa de desconto. É um retorno percentual que pode ser comparado, com algumas restrições, a outras aplicações financeiras para verificar a viabilidade do projeto.

O Payback ou retorno de capital indica em que momento o projeto irá se pagar, ou seja, quando as receitas futuras do empreendimento irão cobrir o investimento inicial devolvendo o capital ao investidor. Apesar de algumas literaturas apresentarem o payback simples, eu acredito que qualquer cálculo onde valores monetários são distribuídos ao longo de um período precisam levar em conta o valor do dinheiro no tempo. Portanto recomendo fortemente que utilizem sempre o payback descontado.

O ROI ou Retorno sobre o Capital é uma outra forma de visualizar o retorno do empreendimento. O cálculo é feito sobre o mesmo fluxo de caixa utilizado no cálculo do VPL. A diferença é que os lucros futuros descontados são divididos pelo investimento inicial (e não subtraídos dele, como no cálculo do VPL), resultando em um valor absoluto que representa a proporção do retorno em relação ao investimento.

Todos os indicadores, exceto a TIR, utilizam uma taxa de desconto, normalmente a TMA ou WACC, que representa o custo do capital empregado, seja ele próprio, de terceiros ou uma proporção entre os dois. Essa taxa pode representar também o custo de oportunidade da organização que, ao abrir mão de outros investimentos, deseja cobrir com o empreendimento qualquer rendimento que poderia obter em outras oportunidades, além de garantir também uma margem de risco aceitável em relação ao empreendimento em si, mas também em relação ao ambiente econômico.

Para entender melhor esses indicadores e como calculá-los, inclusive com a aplicação de uma das ferramentas mais utilizadas para essa finalidade, que é a calculadora financeira HP-12C, baixe o PDF que criei especialmente para você clicando no botão abaixo.

CTA Baixar Cálculos Financeiros

Os indicadores apresentados, que são complementares entre si, tornam possível avaliar se um empreendimento será viável do ponto de vista econômico-financeiro. São medidas auxiliares na decisão de investir que também deve contemplar uma boa análise de risco de negócio, disponibilidade dos recursos, além de levar em consideração a viabilidade técnica, ou seja, a capacidade que a organização tem para realizar o empreendimento. Isso, é claro, levando em consideração que o empreendimento em questão já tenha passado pelo crivo da análise estratégica.

Portanto, respondendo à questão título desse artigo, a resposta é NÃO! Nem toda ideia deve virar projeto. Ela deve ser verificada quanto ao atendimento à estratégia da organização, ser possível se ser realizada com os recursos disponíveis ou ao alcance de quem a pretende realizar, estar dentro do patamar de risco aceitável para os envolvidos e ainda ser viável economicamente, demonstrando capacidade de gerar os retornos desejados e necessários para a manutenção do negócio. Essa análise faz parte da gestão de portfólios e da análise de negócios, e normalmente é realizada no nível de diretoria das organizações com o auxílio do Escritório Corporativo de Projetos (PMO), atendendo à sua função estratégica.

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Bons Projetos!

Paulo Mei

27 de junho de 2016 / Negócios, Portfólios

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